Poucos com tanto...
...tantos com nada!
Brasil tem 20 bilionários
E daí?
A fortuna dos brasileiros mais ricos aumentou cerca de 38%: passou de US$ 33,5 bilhões para US$ 46,2 bilhões de 2005 para 2006, segundo a revista Forbes americana.
E daí?
No que diz respeito à pobreza de renda, 27,4 milhões de crianças brasileiras vivem em famílias com meio salário mínimo ou menos por pessoa.
A liderança do ranking brasileiro continua a ser de Joseph Safra, com US$ 6 bilhões, que é o 119º mais rico do mundo. Porém a sua fortuna agora não é mais somada com a de seu irmão Moise (314º, com US$ 2,9 bilhões), como aconteceu até o ano passado. Mesmo com suas fortunas ultrapassando os US$ 7,4 bilhões de 2006, eles cairiam na lista, de 69º para 76º.
E daí?
Quase 35% da população mais pobre não têm acesso à água potável.
Jorge Paulo Lemann, um dos principais acionistas da cervejaria InBev, ganhou, com seus US$ 4,9 bilhões (eram US$ 3,4 bilhões em 2006), a segunda posição do ranking nacional, ultrapassando Aloysio Faria, do banco Alfa, que viu sua fortuna subir de US$ 3,8 bilhões para US$ 4 bilhões.
E daí?
A violência urbana vitima 14 mil adolescentes de 12 a 19 anos por ano no País.
Dados : Folha de São Paulo, Forbes, Unicef e IBGE
Escrito por Juliano Freire de Souza às 22h05
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DUAS MÃOS SE ENCONTRAM SOBRE O POTENGI

Esqueça os milhões que foram gastos para erguê-la. Não dê importância aos que se digladiam para ser reconhecidos pela paternidade desta obra. Deixe pra lá se o nome é “Ponte de Todos”, “Ponte Forte-Redinha” ou “Newton Navarro”. O interessante nesta imagem de ainda construção é percebê-la como se duas mãos tentassem apertar-se em um gesto de amizade. Como se a zona norte dissesse “ei, zona sul, vamos ser amigos”. Qual fossem duas crianças que moram tão perto, mas vivem separadas pelo preconceito. Como se guetos funcionassem.
A Ponte é vizinha da Ribeira velha de guerra. Dá um salto para frente e voa alto, no sentido de um horizonte pouco valorizado pelos sulistas. Ah! Todo mundo diz que é maravilhoso ver Natal a partir da zona norte. Poucos falam como é ver Natal, da vista sulista. São próximas da da zona norte, jóias como Jenipabu, Jacumã e Muriú. Natal é inteira, é nossa, é do povo.
Constatar e contemplar os plurais ângulos desta Cidade-Sol vale muito mais do que discutir os milhões gastos nesta gigantesca arrumação em concreto. Amar Natal não tem preço. As discussões dos políticos sobre quem é o pai da moça, pouco importam. Quero ver aquelas duas mãos encontrarem-se de vez e querendo-se muito bem. Um amor de sul e norte sem secessão. É o gostar desprovido de ressentimentos.
E que o aperto de mãos entre a jovem loira sulista e o suado homem nortista ou da morena charmosa do norte com o rapaz do sul signifique o início de um amor – que nunca aconteceu. Está para resplandecer em um longo beijo, se o asfalto permitir. Depois mergulharão, Netuno e Sereia, no leito nupcial do Potengi.
Escrito por Juliano Freire de Souza às 22h17
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